22 a 24 de Junho de 2010 - Brasília - DF

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Presidente da Dataprev faz balanço sobre os 10 anos de Inclusão Digital no Brasil

Entre os dias 22 e 24 de junho, o Governo Federal realiza a 9ª Oficina para Inclusão Digital. O evento – que tem a Dataprev entre seus apoiadores – será realizado em Brasília e  discutirá  ações e projetos voltados para a ampliação do acesso da população brasileira aos serviços de informática e às novas Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC).


A nona edição da oficina acontece num momento muito importante, pois o ano de 2010 se traduz num marco para a Inclusão Digital no Brasil. Isso porque foi há dez anos  que o conceito de Inclusão Digital como política pública se estruturou e que tiveram início os projetos nesse sentido.“Na verdade o processo de Inclusão Digital e sua discussão antecedem essa data; eles vêm ocorrendo há, aproximadamente, quinze anos. Mas o ano de 2000 foi o ano em que nasceram vários projetos, sobretudo no âmbito municipal, que deixaram claro que Inclusão Digital era necessariamente uma política pública” revelou o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção.


Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), com dissertação sobre Inclusão Digital, Assumpção atuou em diversos projetos na área além de acompanhar de perto o trabalho das oficinas. A atuação do Governo Federal  teve início em 2001, quando foi realizada a primeira Oficina para Inclusão Digital. Porém, o processo todo ganhou força em 2003, quando, segundo Assumpção, há uma maior clareza dos papéis e metas de governo e sociedade para alcance dos objetivos de inclusão.


“E isso foi pautado pelas discussões anuais nas Oficinas para Inclusão Digital realizadas de 2003 até 2010; agora com a oportunidade de fazer um balanço de todo esse processo”, afirmou. De acordo com o presidente da Dataprev, o governo foi crescendo na sua maturidade e no seu conhecimento do tema e agora vive um momento muito interessante, pois, pela primeira vez seu papel está bastante claro: ser um fomentador e financiador dos componentes estruturantes da Inclusão Digital no Brasil. “Estamos chegando num momento de soma, onde a articulação desses componentes, definidos através da maturação, da ação do governo em diálogo constante com a sociedade civil e do reconhecimento do papel de articulador que o governo federal tem tomado uma dimensão que me parece extraordinária”, revelou Assumpção em entrevista.


Dataprev – Que balanço o senhor faz da atuação do governo na área de Inclusão Digital nesses anos?


Rodrigo Assumpção - Inclusão Digital é um fenômeno bastante complexo e o governo tem atuado em várias dimensões. É importante mencionar as Oficinas de Inclusão Digital como iniciativa de organizar um  espaço onde temas fossem discutidos, decididos e articulados. O governo também tem tido uma atuação muito forte no fomento a indústria de informática, sobretudo como forma de viabilizar a aquisição de computadores pela população em geral, por meio do projeto “Computador para Todos”. Houve um trabalho intenso  na área educacional com a reformulação do Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo) e a estruturação  do Programa Banda Larga nas Escolas. Tivemos uma grande quantidade de projetos de telecentros comunitários voltados para a população de baixa renda, que não estava nas escolas, mas que esperava pela chance de se integrar nessa sociedade moderna. Uma atenção especial está sendo dada para as Lan Houses. Outra ação fundamental do governo – pois qualquer política pública precisa trabalhar em cima de dados consolidados -  foi a estruturação do Onid (Observatório Nacional de Inclusão Digital) que tenta consolidar o  conhecimento da sociedade e do governo  acerca desse fenômeno. Todo esse processo culmina com o novo programa articulado pelo governo, o  Telecentros.BR, que, em parceria com instituições, estados, municípios e sociedade civil, oferece equipamentos, conexão, e um intenso programa de  qualificação e formação de monitores.


Dataprev – Qual a importância do  Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) no processo de Inclusão Digital?


Rodrigo Assumpção - O PNBL vai enfrentar um grande desafio, pois equipamentos, acesso, formação e qualificação já são processos em andamento; o que ainda precisa melhorar é a  infraestrutura de comunicação. Essa infraestrutura é cara, falha e desigual e o  PNBL enfrenta essa realidade de uma maneira extraordinária. Acredito que o efeito maior do plano não será nas áreas e nas pessoas que serão alcançadas por ele, mas sim no impacto na competitividade do mercado de telecomunicações do país, pois hoje presenciamos uma ausência de concorrência no setor. Tenho certeza que essa nova realidade vai mobilizar as operadoras  a oferecer uma redução significativa de preços, massificando seus produtos e atingindo uma maior parcela  da população.


Dataprev  – O governo tem disponibilizado vários serviços pela internet (Governo Eletrônico). Essa estratégia tem oportunizado uma maior inclusão digital?


Rodrigo Assumpção - O governo eletrônico no Brasil tem tido um crescimento extraordinário, servindo de estímulo e alavanca para os programas de inclusão. Trata-se um fator de incentivo, pois amplia o envolvimento do estado com a questão da Inclusão Digital e aumenta a   percepção em nossa sociedade  de que Inclusão Digital é  fator necessário para o alcance de direitos ligados à cidadania, ao progresso social e ao acesso do cidadão ao Estado.


Dataprev – Quais são as perspectivas futuras na área de Inclusão Digital?


Rodrigo Assumpção - Acredito que o Telecentros.Br será o mote organizador das políticas federais de  Inclusão Digital a alavancará uma qualificação global dessas políticas em estados e municípios. Outro elemento importante é o  avanço da discussão entre políticas públicas de Inclusão Digital e Lan Houses, dando conta não só do processo de formalização desses pequenos negócios, mas de seu papel como potenciais colaboradores da Inclusão Digital.


Dataprev  – Qual o papel da sociedade em todo esse processo?
Rodrigo Assumpção - Acho que, para a sociedade  organizada (ONG’s, sindicatos e associações) atualmente é difícil pensar em realizar suas atividades sem essa dimensão da Inclusão Digital junto ao seu público alvo. A internet é um gigantesco espaço para mobilização acho que todos os temas ganham espaço e profundidade se levarmos em conta essa dimensão do digital.  E o  público precisa de ajuda para se relacionar com o mundo digital de maneira cada vez mais qualificada.


Dataprev  – E a Dataprev, no que pode contribuir?


Rodrigo Assumpção - A Dataprev, como empresa de processamento de dados, da área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) tem como área de atuação, em termos de responsabilidade social, a Inclusão Digital, que, inclusive, colabora com a ampliação dos nossos resultados em todos os sentidos. Os dados que nós guardamos com responsabilidade para o Estado são um tesouro nacional que pode – e deve- se tornar público. Para que isso aconteça um passo necessário é a Inclusão Digital cada vez mais ampla. Para quem vive de aprofundar o uso da tecnologia entre o Estado e o cidadão é uma obrigação trabalhar com a ampliação da capacidade tanto do Estado quanto do cidadão de fazer uso dessas tecnologias de forma com que a sociedade brasileira avance rumo aos seus objetivos.


Fonte: CGCO- Dataprev
 


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